Referencial Teórico - A Globalização segundo Boaventura
Introdução
O referencial teórico permite verificar o estado do problema a ser pesquisado sobre estudos já realizados, possibilitando maior fundamentação e consistência. Com base nisso, escolhemos o material escrito de Boaventura Souza Santos, contido no livro "A Globalização e as Ciências Sociais", de 2002, sobre globalização, para nortear o nosso estudo.
É fundamental pontuar que o intuito não é a cópia de ideias, ocorrência comum quando se trata da aplicação de citações. Mas sim utilizar o conteúdo disponibilizado por Boaventura, de modo a enriquecer e trazer maior compreensão acerca da análise do tema.
Ponto de partida
A globalização, segundo Boaventura (p.25-89), é tomada como o fenômeno que ocorreu a partir do momento em que as interações transnacionais deixaram de ser fronteiriças e passaram a não depender mais de uma conexão terrena para acontecer, e sim de uma convergência de interesses políticos, econômicos e/ou sociais. Portanto, a partir do surgimento desse tipo de interação, a definição de sociedade como Estado-nação bem delimitado pode ser considerada ultrapassada.
A questão da interação independente da distância causou mudanças radicais no quesito geográfico e na composição e estrutura institucional da economia global, de acordo com Saskia Sassen (in Santos, 2002), o que acarretou em um sistema econômico neoliberal, e na concentração de fundos monetários nas mãos de empresas multinacionais. Esse fato enfraqueceu as empresas nacionais que não fazem parte do novo regime internacional (Sassen in Santos, 2002), ou seja, locais estratégicos economicamente.
No livro, Boaventura também fala sobre Becker e Skelar, os quais discutem sobre o surgimento de novas classe sociais emergentes, originadas das novas relações entre o setor administrativo do Estado e as grandes empresas privadas ou privatizadas, segundo o novo regime internacional de globalização econômica neoliberal. A desigualdade social contemporânea, dentro do contexto de globalização trabalhado, decorre da dificuldade de redistribuição de rendimentos, ou seja, a concentração das riquezas nas mãos de poucos enquanto a maioria da população permanece em falta de recursos.
Com base nisso, é possível concluir que os países que mais sofrem com relação a globalização econômica neoliberal, são os periféricos e semiperiféricos, causando efeitos estruturais a todos, porém mais desvantajosos nestes.
Um dos desdobramentos possíveis dentro desse contexto é a intensificação de processos migratórios, que estão pautados sob a ótica da globalização desde a última metade do século passado. Tal processo carrega consigo diversos aspectos que pautam a relação entre cidadãos de diferentes origens que passam a coexistir em um mesmo espaço físico: diversidade cultural e étnica, formação de comunidades periféricas, interferência nas relações internacionais entre os países e xenofobia.
Deste modo, durante o projeto trabalharemos a questão dos movimentos migratórios no contexto da globalização, com foco nos Estados Unidos da América, a hegemonia econômica, e supostamente social, da contemporaneidade, tal como as medidas atuais adotadas pelo presidente recém-eleito Donald Trump.

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